sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mata Atlântica pode sofrer mais perdas com mudanças no Código Florestal



Foto Mata Atlântica pode sofrer mais perdas com mudanças no Código Florestal
Dia Nacional da Mata Atlântica é comemorado nesta sexta-feira (27). A ecorregião é a mais devastada do País, com apenas 8% de sua cobertura vegetal original preservada
27/05/2011
Carine Corrêa
Ecorregião mais devastada do País, a Mata Atlântica possui atualmente apenas cerca de 8% de sua cobertura vegetal original. A ameaça não é apenas para a biodiversidade, pois o abastecimento de água para 123 milhões de brasileiros, por exemplo, depende da conservação da cobertura vegetal nativa da região. A área é classificada como o segundo conjunto de ecossistemas mais ameaçados de extinção do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da Ilha de Madagascar, na África.
Apesar de ser uma das regiões ecológicas mais ricas do Planeta em termos de biodiversidade, o desmatamento, a exploração madeireira, a agricultura, as obras de infraestrutura e a ocupação inadequada de áreas de preservação permanente, dentre outros fatores, ocasionaram uma perda de quase 92% de sua cobertura vegetal original.
Preservação - A importância da preservação da região vai além da conservação de espécies da fauna e flora e das paisagens naturais. O abastecimento de água para uma população de 123 milhões de brasileiros e para diversas atividades produtivas de três grandes regiões do País depende da proteção efetiva das matas ciliares e dos recursos hídricos da ecorregião. Outros serviços ecossistêmicos, como regulação do clima, proteção de encostas e garantia do regime de chuvas também dependem da conservação adequada da área.
Além disso, inúmeras Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Mata Atlântica - que incluem todas as formas de vegetação situadas nas margens de corpos d'água, topos de morro, encostas íngremes, manguezais e nascentes - correm o risco de sofrer mais degradação com as alterações que podem ser promovidas no Código Florestal.
Código - De acordo com a analista ambiental Fátima Guedes, do Núcleo Mata Atlântica do MMA, a elaboração adequada do Código Florestal é fundamental para a preservação da Mata Atlântica, especialmente os pontos da legislação que orientam sobre a necessidade de se manter áreas com vegetação nativa, como é o caso das APPs e das áreas de Reserva Legal (porcentagem das propriedades que devem manter a vegetação nativa).
"Numa região onde os diferentes ecossistemas estão muito fragmentados, a conservação do que sobrou e a recuperação desses espaços permitirá a recomposição e a formação de corredores ecológicos", afirma. Os corredores ecológicos são extensões significativas de ecossistemas que aumentam a probabilidade de sobrevivência de diferentes espécies em longo prazo e asseguram a manutenção de processos evolutivos em larga escala.
Desastres - De acordo com levantamento feito pelo MMA na região serrana do Rio de Janeiro, afetada pelas chuvas no início deste ano, a maioria dos deslizamentos ocorreu em APPs. O estudo foi realizado para comprovar a relação entre as APPs e as áreas de risco, e constatou que aproximadamente 90% dos locais mais afetados eram de Áreas de Preservação Permanente ocupadas de maneira irregular.
"Fomos verificar se as áreas atingidas pelas enchentes ou deslizamentos eram ou não consideradas APPs pelo Código. Indevidamente ocupadas por razões diversas no passado, essas áreas ficaram disponíveis para diferentes usos, mas os locais deveriam ser preservados pela sua importância ambiental e por uma questão de segurança da própria população", afirma Wigold Schaffer, consultor do Núcleo Mata Atlântica do MMA e coordenador do estudo.
Schaffer ressalta que o mesmo padrão de ocupação se repetiu no Paraná, em Alagoas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e em outras regiões onde enchentes resultaram em tragédias no Brasil. Ele explica que as áreas mais próximas dos rios costumam ser as mais atingidas.
"Verificamos que em áreas rurais a agricultura muito próxima à área do rio deixa o solo suscetível à erosão, e a enxurrada leva não só a plantação, mas também parte do solo, que sem fixação de florestas e de vegetação agrava as enchentes em centros urbanos localizados logo abaixo dos rios, entupindo pontes, bueiros e provocando a destruição a que todos temos visto", esclarece.
O consultor explica, ainda, que o afastamento de 30 metros em cada margem para a implementação de qualquer atividade produtiva ou de infraestrutura é a faixa mínima de preservação necessária para garantir a segurança e o bem estar da população e a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos na Mata Atlântica.
Desta forma, mesmo que haja uma chuva forte e o nível do rio suba, o fluxo da água terá um espaço maior para escoar. "Se a área já estiver ocupada, a destruição é inevitável. Ocorrem perdas de vidas humanas, de safra agrícola, de infraestrutura e de patrimônio. Se eliminarmos as APPs do Código Florestal vamos potencializar e agravar estes problemas no futuro. Isto é prejuízo certo", prevê Schaffer.
Alternativa - O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é uma iniciativa que já está sendo implementada na região. É uma alternativa que contribui para o aumento da renda de famílias locais e, também, para a queda do desmatamento e de outras atividades predatórias.
O instrumento funciona de maneira a complementar ações relacionadas ao manejo de recursos naturais ou usos sustentáveis da terra, como manejo sustentável de recursos não madeireiros, sistemas agroflorestais, restauração de matas ciliares e estabelecimento de corredores ecológicos.
Em um estudo coordenado pelo MMA, foram levantadas, ao todo, 79 iniciativas de PSA em diferentes fases de desenvolvimento. São 33 projetos na categoria de fixação e retenção de carbono na atmosfera, 41 relativos à água e outros cinco que tratam de conservação da biodiversidade.
O projeto Produtor de Águas e Florestas na Bacia do Rio Guandu, no Rio de Janeiro, por exemplo, estimula 18 pequenos proprietários rurais - que em sua maioria possuem áreas menores que 100 hectares - a realizarem a restauração florestal de APPs e de áreas interceptoras de água, além da conservação de florestas e do saneamento rural.
Esses agricultores estão contribuindo para a recuperação de uma grande área degradada localizada entre os maiores remanescentes de Mata Atlântica da região Sudeste, situada entre a área da reserva biológica Rio Claro e o Parque Nacional da Bocaina. A reconexão entre os trechos remanescentes dessa grande área vai possibilitar a formação de um grande corredor ecológico. Esse território abriga, ainda, diversas unidades de conservação e Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPNs).
A verba total destinada ao projeto, por ano, é de R$ 1,9 milhão, e a primeira fase (prevista para cinco anos) deve ser finalizada em 2013. O sistema Guandu abastece cerca de oito milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Área original
A área original de Mata Atlântica cobria aproximadamente 15% do território brasileiro. A parte da ecorregião reconhecida pela Lei 11.428, de 2006, foi delimitada pelo IBGE e compreende um conjunto de formações florestais e ecossistemas associados, abrangendo total ou parcialmente 17 estados e 3.410 municípios.

Características
A Mata Atlântica possui aproximadamente 20 mil espécies de flora (entre 33% e 36% das existentes no País). Em relação à fauna, os levantamentos indicam que a região abriga 849 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 de peixes. Das 472 espécies brasileiras ameaçadas de extinção, 276 são da Mata Atlântica.
Composta por um conjunto de tipos de vegetação, a ecorregião abrange faixas litorâneas do Atlântico, florestas interioranas e de araucária, campos de altitude e encraves florestais no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Sua extensão está presente também em diferentes biomas, e chega a abranger parte do território da Argentina e do Paraguai.


Fonte: Ascom- MMA

Ritmo do desmatamento da Mata Atlântica cai 55%


O Brasil perdeu 31.195 hectares (311,95 km²) de Mata Atlântica entre 2008 e 2010, mas houve redução de 55% no ritmo de desmatamento desse bioma, informaram nesta quinta-feira (26) a organização SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ao apresentarem um novo atlas feito a partir de imagens de satélite.
A área desmatada equivale a 194 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo. A redução de 55% ocorreu em relação ao período entre 2005 e 2008, coberto pela análise anterior, numa comparação anualizada.
“Comemoramos, mas temos que fazer um alerta porque identificamos perdas de florestas principalmente nas matas secas de Minas Gerais e da Bahia. Os dois municípios que perderam mais área estão nessas matas secas”, diz Márcia Hirota, uma das coordenadoras do Atlas da Mata Atlântica.
Essa paisagem natural brasileira é uma das mais ricas em biodiversidade, e até 60% de suas espécies de plantas são endêmicas, ou seja, só existem ali. Ao mesmo tempo, se estende pela porção mais populosa do país. Na área que originalmente ocupava, atualmente vivem cerca de 112 milhões de pessoas.
Com os dados atualizados, sabe-se que restam 7,9% da cobertura original da Mata Atlântica no Brasil, considerando áreas acima de 100 hectares (1 milhão de metros quadrados). Levando em conta os pequenos fragmentos de mata, com no mínimo 3 hectares (30 mil metros quadrados), restam 11,62%. “Está bem abaixo do que deveríamos ter”, avalia Marcia.
Minas lidera desmatamento – Minas Gerais é o estado que mais destruiu o bioma nesse período: foram 12.467 hectares (124 km²) de desflorestamento. A Bahia vem logo em seguida, com 7.725 hectares (77 km²). Nove dos dez municípios com mais desflorestamento estão nesses dois estados.
Na composição do atlas, foram avaliados 16 dos 17 estados que detêm pedaços de Mata Atlântica. Apenas o Piauí ficou de fora, porque os critérios sobre a formação dessa vegetação no estado estão indefinidos.
Código Florestal – A SOS Mata Atlântica atribui a queda do ritmo de destruição em parte à criação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, que definiu a extensão e o uso da vegetação do bioma. É por isso, segundo a organização, que a aprovação do novo Código Florestal na Câmara gera preocupação, já que, em alguns pontos, o texto flexibiliza o uso da terra.
O problema do Brasil não é a lei. É a falta de capacidade de aplicar a lei”, avalia Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da ONG. “O que aconteceu com a Mata Atlântica não precisa acontecer com a Amazônia, com o Cerrado. Tivemos um modelo errado de ocupação. [O Código Florestal] é uma volta ao passado. A anistia [a quem desmatou antes de 2008] não vai melhorar nossa performance. É uma ‘deseconomia’”, avalia.
 (Fonte: Dennis Barbosa/ Globo Natureza)

Aldo Rebelo diz que ambientalistas não pensaram no interesse nacional na discussão do Código Florestal


O deputado federal Aldo Rebelo criticou nesta quinta-feira (26) a atuação das organizações não governamentais (ONGs) ambientalistas, principalmente as internacionais, nas discussões do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, do qual foi relator e que foi aprovado esta semana na Câmara dos Deputados. Para o deputado, essas ONGs fizeram lobby para criar uma legislação “fabricada em gabinetes”.
“Greenpeace, WWF e outras organizações dessa natureza não pensam [sobre os interesses nacionais]. Imaginavam que poderiam submeter ou continuar submetendo o Brasil a uma legislação fabricada em gabinetes, que coloca na ilegalidade 100% dos agricultores do Brasil”, disse o deputado.
Aldo Rebelo disse, em São Paulo, que o conflito surgido na discussão sobre o código se deveu, especialmente, ao lobby ambientalista. “Quando os agricultores se dispuseram a ceder, a compreender as exigências de proteção ambiental, o lobby ambientalista, principalmente o internacional instalado no Brasil e que se habituou durante 20 anos a usurpar da Câmara o direito de legislar essa matéria, não estava disposto [a ceder]. Resistia a aceitar que os representantes do povo retomassem o direito de legislar sobre uma matéria de interesse nacional. Esse é que foi o conflito”, afirmou o relator da matéria na Câmara.
Aldo também criticou a atuação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nessa discussão. “A SBPC, quando foi convocada pela comissão especial, negou-se a comparecer dizendo que não tinha posição. Quando foi procurada pelo lobby ambientalista, que paga alguns pesquisadores, a SBPC resolveu manifestar-se. Por que não se manifestou quando a Câmara a convidou oficialmente na comissão especial?”.
Procurada pela Agência Brasil, a SBPC respondeu, por meio de nota, que “nunca houve convite oficial por parte do Parlamento Nacional” para que entidades da comunidade científica participassem das discussões sobre o substitutivo do Código Florestal. Segundo a SBPC, a participação ocorreu motivada pela própria comunidade científica, que resultou num grupo de trabalho que publicou o livro O Código Florestal e a Ciência – Contribuições para o diálogo. A SBPC também afirmou que concorda que o Código Florestal precisava de aprimoramentos, mas que solicitou mais dois anos para discutir o documento.
“A SBPC e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) consideram precipitada a decisão tomada na Câmara dos Deputados, pois não levou em consideração aspectos científicos e tecnológicos na construção de um instrumento legal para o país”, concluiu a entidade em nota a nota.
A WWF, até o momento, não respondeu à solicitação de informações feita pela Agência Brasil, que também procurou a representação do Greenpeace no Brasil, mas não encontrou quem respondesse formalmente pela ONG.
(Fonte: Elaine Patricia Cruz/ Agência Brasil)

CAMACAN: ÁRVORE DE 500 ANOS É CORTADA


Foto: Blog do Thame
500anos%20arviore Segundo moradores, Jequitiba-Rei tinha 500 anos
Uma árvore Jequitibá-Rei de aproximadamente 500 anos, segundo os moradores locais, foi derrubada nesta quinta-feira (26) pela prefeitura de Camacan, no sul da Bahia. De acordo com reportagem do Blog do Thame, a justificativa da administração municipal foi a de que as raízes da planta secular estariam a comprometer a estrutura das casas do entorno. O produtor rural Euvaldo Maia Filho tentou evitar a derrubada, mas não obteve êxito. “A ignorância não permitiu enxergar, que não estavam protegendo pessoas mais sim dificultando o desenvolvimento sustentável, e pior, dando um péssimo exemplo de descaso ambiental a população”, lamentou.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Saiba o que muda com o novo Código Florestal

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/relator-do-codigo-florestal-culpa-ibama-por-aumento-do-desmatamento-20110519.html

Relator do Código Florestal culpa Ibama por aumento do desmatamento


Corte de florestas na Amazônia quintuplicou do ano passado para cá, segundo Inpe

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator do novo Código Florestal em tramitação na Câmara, atribuiu ao Ibama a culpa pelo aumento do desmatamento na Amazônia. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o corte de florestas nesse bioma quintuplicou de 2010 para 2011.

Nesta quinta-feira (19), Rebelo rebateu a acusação de que a possibilidade de aprovação do Código Florestal teria incentivado os desmatadores, uma vez que prevê anistia a quem cometeu crimes ambientais até julho de 2008.

Para o deputado, o Ibama falha na fiscalização. Ele cobrou uma explicação da ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira.

- Uma causa fundamental é a falta de fiscalização, a ineficácia de quem deveria fiscalizar e não consegue. [...] Eu espero que ela [ministra Isabella Teixeira] arranje uma reposta cabível e que o Ibama se torne uma burocracia mais eficaz para fiscalizar desmatamento ilegal, o que não tem conseguido.

Segundo dados divulgados na quarta-feira (18) pelo Inpe, o desmatamento na Amazônia subiu para 593 km² em março e abril deste ano, na comparação com os mesmos meses de 2010. O número representa aumento de 473%.
O Mato Grosso foi o Estado que mais contribuiu para a perda da floresta, com 480,3 km² de área desmatada – o que representa 80,9% de tudo o que foi desmatado.

ONGs ambientalistas usaram os dados para criticar o novo Código Florestal, cuja votação na Câmara está prevista para a próxima terça-feira (24), após três adiamentos. O responsável pela Campanha de Florestas do Greenpeace, Márcio Astrini, diz que "esses dados têm um efeito muito ruim para o Brasil no cenário internacional, por conta dos compromissos assumidos pelo país na COP-15".

Rebelo devolveu a crítica às próprias ONGs dizendo que o boato causado é que pode ter se tornado fator estimulante ao desmatamento.

- As ONGs que espalharam que o código estimularia desmatamento podem ter sido responsáveis por isso. As mesmas ONGs com as quais eu fiz acordo para vedar toda e qualquer proposta de qualquer tipo de novo desmatamento.

Fonte:Priscilla Mendes, do R7.com

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pastoral pede que MPF vistorie carga radioativa em Caetité

A Comissão Pastoral do Meio Ambiente, associação ligada à Igreja Católica, entrou com um pedido de abertura de ação civil pública no Ministério Público Federal (MPF) exigindo a vistoria da carga de nove contêineres enviados para a unidade da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que fica em Caetité. Segundo a empresa  o material é concentrado de urânio. Já ambientalistas dizem que a carga contém lixo radioativo.
Em nota, a presidência da INB sustenta que as carretas estão transportando 90 toneladas de concentrado de urânio, de propriedade da Marinha brasileira e que esse material é o mesmo produzido na mina de Caetité.
O objetivo, segundo o presidente da INB, Alfredo Tranjan, é criar um novo reservatório e retomar a capacidade de produção máxima, pois, no ano passado, a unidade de mineração não conseguiu atingir as 400 toneladas da meta anual.
Interdição – O material, que deveria seguir para Maniaçu, distrito de Caetité,  onde funciona a unidade de mineração e beneficiamento de urânio da INB, foi impedido de seguir viagem por um grupo de, aproximadamente 3,5 mil pessoas, na noite do  último domingo.
Ao final do protesto, já no início da madrugada desta segunda-feira, 16, e sem acordo para o comboio seguir em frente, a carga foi encaminhada para a sede do 17º Batalhão de Polícia Militar (PM), localizado em  Guanambi que fica a 40 km de Caetité.
Até o fechamento da reportagem, os nove contêineres com o material continuavam no pátio do Batalhão da PM. A determinação, segundo fonte ligada a INB, é que as carretas permaneçam no local até que seja decidido o destino final da carga.
A direção da empresa, que é vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, confirma que elabora uma metodologia de diálogo para tentar convencer a comunidade e pôr fim ao impasse. Mas a intenção da INB encontra resistência entre segmentos da população local.
“Estamos em vigília e todos de prontidão para fazer outra barreira humana e impedir os caminhões de passar por aqui”, afirmou o padre Osvaldino Barbosa, que é membro da Comissão Paroquial do Meio Ambiente de Caetité.
“Todos aqui estão com medo e desinformados. A empresa deveria ser mais aberta, principalmente agora em que o mundo ainda lembra a tragédia atômica no Japão”, salienta a estudante Jamile Cardoso Dias, uma dos que participam da vigília.
Fonte: A Tarde

Prefeitura prepara Semana Municipal do Meio Ambiente

A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente/Semma, deu início a mobilização para a Semana de Meio Ambiente do município, que acontece de 6 a 10 de junho. Numa reunião, promovida na manhã desta segunda-feira, 16, foram apresentadas as atividades que serão realizadas durante o evento, bem como a participação das demais secretarias na Semana, a exemplo da Secretaria de Trânsito, Transporte e Infraestrutura Urbana, e da de Serviços Públicos.

“Pensamos em atividades que favorecessem discussões sobre diversos tipos de temas que são de interesse da comunidade. Por exemplo, vamos ter um dia de exposição em praça pública no primeiro dia de atividades, em que apresentaremos para nossa comunidade quais são as espécies de árvores que são da nossa região, que nós colocamos nas praças públicas, que cultivamos no horto e no herbário municipais e que muitas pessoas da cidade não têm conhecimento. Então, nós vamos divulgar os nomes científicos e populares, quais curiosidades sobre essas espécies, como a gente pode ter acesso a elas por meio da Prefeitura. A nossa intenção é incentivar tanto o conhecimento sobre as espécies quanto também o plantio posterior”, explicou a gerente de projetos da Semma, Priscilla Dantas.

Ainda fazem parte da programação  duas palestras: uma sobre Licenciamento Ambiental – onde serão esclarecidas dúvidas referentes ao tema (que documento é preciso, quais empresas precisam do licenciamento, para quê ele é necessário, de quem é a exigência); e outra sobre Resíduos Sólidos. As palestras serão gratuitas e contará com entrega de certificados para os participantes.

Também serão promovidas: uma sessão especial na Câmara Municipal para tratar questões relativas ao Meio Ambiente e para entrega do Selo Empresa Amiga do Meio Ambiente às empresas contempladas; e uma blitz educativa intitulada “Não jogue lixo na rua” que visa conscientizar, principalmente, os motoristas.




Fonte: Secom - PMVC

Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas fornecerá interface amigável entre bases de dados


Um sistema computacional desenhado especialmente para o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) fornecerá uma interface amigável entre as bases de dados dos diferentes projetos que compõem o programa.
A informação foi divulgada na semana passada no Workshop do PFPMCG por Paulo Artaxo, membro da coordenação do programa e professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
O evento de dois dias foi voltado aos coordenadores, pesquisadores principais, colaboradores e estudantes dos 17 projetos em andamento do PFPMCG. Participaram também coordenadores e equipes dos projetos de pesquisa do programa BIOTA-FAPESP e do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).
Segundo Artaxo, uma empresa foi contratada e está desenvolvendo o sistema, que permitirá o compartilhamento dos dados gerados pelo programa em uma só interface. A ciência climática, por ser essencialmente multidisciplinar, resulta em dados heterogêneos cuja articulação não é trivial.
“O sistema de interface de bancos de dados será feito tanto para a inserção de dados de sensoriamento remoto, como para dados cartográficos, dados de medidas individuais, dados de instrumentos complexos e dados de imagens de satélite, por exemplo. Ele está sendo desenhado, desde a sua concepção, para poder disponibilizar dados de qualquer natureza”, disse à Agência FAPESP.
O novo sistema, por ser capaz de padronizar os dados, será fundamental para que o programa cumpra suas funções, integrando de fato os diferentes projetos em andamento.
Na abertura do workshop, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, destacou que a integração entre os projetos é fundamental para que o conjunto deles se caracterize como um programa de pesquisa.
“Todos que se envolvem com um programa desse tipo, com financiamento público, têm a responsabilidade de compartilhar com a sociedade os dados científicos que são coletados. Cada pesquisador do PFPMCG tem a responsabilidade de disponibilizar os dados coletados para facilitar trabalhos intergrupos e interdisciplinares e otimizar o enorme investimento que é feito com recursos públicos”, disse Artaxo.
De acordo com o pesquisador, o sistema está sendo concebido desde o início para ser amigável do ponto de vista de entrada e de disponibilização de informações no banco de dados do PFPMCG.
“O importante é que os dados sejam acessíveis de uma maneira fácil, de forma que o pesquisador não tenha muito trabalho nem para inserir seus dados, nem para obter resultados de outros grupos que podem ser do interesse de sua própria pesquisa. Não se trata de um sistema trivial, ao contrário, é bastante complexo, por isso o desenvolvimento ainda levará alguns meses”, disse. (Fonte: Fábio de Castro/ Agência Fapesp)

Ibama flagra queimada e madeira ilegal em Mato Grosso


Ação realizada pelo Ibama na última semana em Itaúba (MT) apreendeu 389 toras de madeira extraída ilegalmente e detectou a devastação por queimada de 11,2 km² da floresta amazônica. A ocorrência só foi divulgada nesta segunda-feira (16).
De acordo com a instituição, agentes realizaram o flagrante em uma propriedade após averiguar a documentação de dois caminhões que transportavam madeiras. A carga levada pelos veículos não era a mesma descrita nas notas, o que chamou a atenção dos fiscais. Os caminhões e a madeira foram conduzidos para Sinop.
Os responsáveis pela queimada e e pela extração ilegal serão multados em R$ 8,9 milhões, terão as áreas embargadas e devem responder judicialmente por crime ambiental. (Fonte: Globo Natureza)

Unidades federais de conservação demoram para sair do papel


Apesar de terem sido decretadas entre 2005 e 2006, as seis unidades federais de conservação de araucárias passaram por dois anos de “limbo” antes de saírem efetivamente do papel.
O motivo, segundo o próprio governo federal, foi a falta de estrutura para conseguir tocar as reservas de araucárias em frente.
O Parque Nacional dos Campos Gerais, por exemplo, criado em 2006, só teve chefe nomeado em 2009.
Solitário - A Reserva Biológica das Araucárias (também no Paraná) até hoje não tem chefe – um só servidor é o responsável pela unidade.
O mesmo acontece no Parque Nacional das Araucárias, em Santa Catarina, onde também existe somente um funcionário.
Das seis unidades, apenas uma possui um plano de manejo “”documento que detalha os tipos de atividades que podem ou não ser desenvolvidas na área.
Sem pagamento – Em nenhuma das unidades de conservação houve indenização aos proprietários atingidos – embora três já tenham aberto processos para apurar o valor desses pagamentos.
“É um passo de cada vez”, diz o responsável pela Reserva Biológica das Araucárias, Jorge Marques, onde ainda está em andamento o levantamento fundiário da unidade, ou seja, o detalhamento das propriedades que estão dentro da reserva.
O coordenador do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) na região Sul do Brasil, Ricardo Castelli Vieira, admite as dificuldades, mas diz que houve um “avanço inegável” na implementação das unidades de conservação nos últimos dois anos. “A gente tem que fazer ginástica”, diz. (Fonte: Estelita Hass Carazzai/ Folha.com)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Aquecimento global deve ser superado em breve, diz físico


O aquecimento global é um problema importante para o físico teórico Michio Kaku, cocriador da teoria das cordas e um dos principais divulgadores de ciência na atualidade, mas com data marcada para acabar. “O aquecimento não irá durar para sempre, irá durar de 10 a 20 anos”, afirma o norte-americano.
A aposta de Kaku para dispensar os combustíveis fósseis no futuro é a fusão nuclear. Esta é a maneira pela qual o Sol gera energia. Os átomos de hidrogênio, com apenas um próton e um nêutron, se fundem para formar hélio. No processo, nem tudo o que está nos átomos de hidrogênio é convertido e uma parte é liberada na forma de energia.
A cada segundo, o sol converte 600 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio em seu centro, onde a temperatura pode atingir 15 milhões de graus Celsius.
A produção por fusão nuclear ainda não existe na Terra. Mas para o cientista, isso é apenas questão de tempo. “Os franceses e a União Europeia estão investindo 10 bilhões de euros para fazer o primeiro reator de fusão nuclear”, lembra Kaku. “A fusão nuclear será uma opção real daqui a 20 anos.”
Kaku se refere ao projeto Iter, um reator experimental que está sendo construído em Cadarache, no sul da França. A usina seria composta por um equipamento chamado Tokamak, em formato de rosquinha – o nome formal em geometria é toroide. O calor liberado ali serviria para gerar vapor e, como consequência, movimentar turbinas para a obtenção de eletricidade.
Sobre o projeto – Os materiais combustíveis seriam o deutério e o trítio, duas “versões” do hidrogênio com um e dois nêutrons a mais, respectivamente.
Para a produção ser viável, o reator teria de ser capaz de aguentar temperaturas de até 150 milhões de graus Celsius. Nessa “fornalha”, os elétrons se separam dos átomos e os gases dentro da “rosquinha” viram plasma – um estado da matéria diferente, com o gás carregado eletricamente.
Até o momento, um dos principais desafios à fusão nuclear é fazer plasma liberar tanta energia quanto consome. Até hoje, os cientistas só conseguiram fazer o plasma liberar 70% da energia investida. Os cientistas do Iter esperam produzir 500 MW, contra os 50 MW necessários para fazer o reator funcionar.
Antes da era nuclear – Apesar de não parecer se importar com a duração do aquecimento global, Kaku lembra dos efeitos do fenômeno e teme pelo futuro do local onde mora. “Eu vivo em Manhattan, em Nova York. Talvez no futuro nós precisemos de diques contornando a ilha”, diz.
“Até chegar à era nuclear [da fusão], nós iremos prejudicar muito o meio ambiente, algumas cidades ficarão debaixo d’água. Nós sabemos que isso já acontece em Veneza, na Itália, por exemplo.”
Se a fusão nuclear ainda não chega, o físico também lembra de tecnologias alternativas como a energia solar, como fontes de energia mais limpas. “A ciência realmente pode nos salvar [do aquecimento global]. O custo da energia solar, por exemplo, cai a cada ano. Ainda é muito cara, na média chega a ser duas vezes mais cara que a gerada por combustíveis fósseis. Mas daqui a dez anos ela poderá ser muito competitiva”, acredita Kaku.(Fonte: Mário Barra/ G1)

Inpe confirma previsão de Amazônia mais quente e seca


A floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos – como grandes secas ou inundações – cada vez mais comuns.
Esse tipo de projeção já vinha aparecendo em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia.
O trabalho, feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pelo Centro Hadley, do Reino Unido, também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas.
“Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima”, explica o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.
Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera.
O cenário agora é de mais secas no sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, processo chamado de savanização.
Tudo isso, claro, será agravado se o desmatamento não for contido. “Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos”, diz Marengo.
Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no leste.
Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.
Incertezas – De acordo com Marengo, há muitas dúvidas na produção de cenários futuros.
Isso porque não há como saber com precisão qual será a eficácia das políticas de redução dos impactos das mudanças climáticas ao longo dos próximos anos.
“Os tomadores de decisão precisam saber dessas previsões. É preciso reconhecer que o problema pode ter impactos na economia e sociedade”, diz Marengo.
Por exemplo, no caso da importante malha fluvial amazônica, “secas extremas deixarão os rios intrafegáveis. Os políticos precisam saber disso”, afirma o cientista.
De acordo com o especialista, a publicação dos resultados em forma de relatório, e não em uma revista científica, como seria praxe, foi a forma encontrada pelo grupo para que a informação chegasse aos políticos.
“Aldo Rebelo [relator da proposta do Código Florestal] diz que faltam estudos científicos. Aqui temos um estudo científico afinado com a realidade nacional. A evidência está aí”, conclui ele. (Fonte: Sabine Righetti/ Folha.com)