quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Celebridades apoiam campanha contra novo Código Florestal Brasileiro


A pedido do cineasta Fernando Meirelles, personalidades gravam videodepoimentos contra as alterações da lei ambiental no país


Editora Globo
Da esquerda para a direita, Rodrigo Santoro, Arnaldo Antunes e Wagner Moura, com cartazes de divulgação da campanha #florestafazadiferença. (Fotos: Divulgação)
O ator Wagner Moura estava em Los Angeles, nos Estados Unidos, quando recebeu um e-mail do cineasta Fernando Meirelles para participar de um novo projeto. Ao contrário das grandes produções audiovisuais para as quais o artista está acostumado a ser escalado, o convite se resumia a um apelo simplório: gravar um depoimento que pudesse contribuir com a campanha #florestafazadiferença

Lançada em junho, a mobilização é uma iniciativa do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, formado por 152 organizações da sociedade civil brasileira. Os envolvidos reivindicam que o projeto de lei para a alteração do Código Florestal Brasileiro, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, seja recusado pelo Senado. 

Meirelles, que se classifica como “fazendeiro atípico” por cuidar nas suas horas livres de uma plantação de café e cana-de-açúcar localizada em Rifaina, interior paulista, espontaneamente apoiou a causa. O cineasta gravou um vídeo caseiro com sua opinião sobre o assunto para, em seguida, espalhar a missão entre seus contatos. Em apenas duas semanas, 25 depoimentos foram coletados. A única regra para as gravações é que “nem um litro de gasolina fosse gasto com a produção dos vídeos”, como explica Meirelles. Os depoimentos foram produzidos com equipamentos pessoais como celulares e câmeras de computadores. A qualidade técnica foi deixada de lado em função doconteúdo do material. 

Além de Moura, Gisele BündchenAlice BragaMarcos PalmeiraBruna LombardiRodrigo SantoroDenise Fraga,Felipe Camargo e Fernanda Torres estão entre os que voluntariamente contribuíram com a causa. Mas, segundo Meirelles, os depoimentos não param de lotar a sua caixa de e-mail. “Estamos finalizando o material de mais dez personalidades”, conta. 

O sucesso da iniciativa obrigou o cineasta a expandir o destino inicial de sua mobilização. “No começo, pensava apenas em enviar estes vídeos para os 81 senadores envolvidos na aprovação do Código Florestal, mas o material merece maior divulgação para atingir, principalmente, aqueles que ainda pensam que comida nasce no supermercado”, diz. 

As produções foram apresentadas, com exclusividade, à imprensa na sede da produtora O2 Filmes, em São Paulo, nesta terça-feira (18/10). Para João Paulo Capobianco, representante do Instituto Democracia e Sustentabilidade(IDS), a participação de personalidades enriquece a #florestafazadiferença. “A campanha ganha outra dimensão”, afirma. Beloyanes Bueno, coordenador de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, tem opinião semelhante. “Os artistas tornam a questão do Código acessível para todos. O público toma como exemplo a campanha e percebe aimportância das florestas”, conclui.
Assista aos depoimentos de Gisele Bündchen, Alice Braga, Wagner Moura, Fernando Meirelles, José Eli da Veiga, Marcos Palmeira e Ricardo Abramovay:

Fonte:  Globo.com

Marina pode criar partido antes das eleições de 2014


A ex-senadora Marina Silva (AC) admitiu hoje, em Belo Horizonte, a possibilidade de criação de um novo partido antes das eleições presidenciais de 2014. Ela afirmou que não pretende criar uma legenda "para disputar eleição" em 2012, mas contou que desde que deixou o PV integra um movimento batizado "nova política" que pode convergir para a criação de uma nova legenda.

Após cerimônia de abertura de um evento promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, Marina criticou de forma geral a atuação dos partidos brasileiros, inclusive o PV, pelo qual disputou a Presidência em 2010. Para ela, as atuais legendas estão vazias de propostas e têm apenas projetos eleitorais. "Não se cria partido político por causa de eleição. Se cria partido político quando se tem visão, projeto e alguma argamassa em termos das pessoas que estão em torno desse ideal", salientou.

Segundo a ex-senadora, o movimento ao qual faz parte, batizado "nova política", inclui pessoas que "querem e que não querem" a criação de um partido, assim como personalidades de outras legendas já tarimbadas no meio. E citou a também ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) e o deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB-SP).

"Estou nesse movimento. Se isso tiver densidade, estatura, altura e profundidade para se transformar, uma parte do movimento, em um partido, poderá até, no futuro, ser um partido. Eu estou no processo", declarou a ex-senadora, que ressaltou não ter objetivo de fazer um contraponto à disputa entre PT e PSDB. "É para colocar um ponto. E eu espero que seja um ponto final na ideia dessa polarização", disse.

Marina, que saiu das eleições presidenciais de 2010 em terceiro lugar, com cerca de 20 milhões de votos, assumiu também que a nova legenda pode ser criada a tempo da próxima disputa presidencial, mas negou que seja pré-candidata. "Não vou ficar no lugar, a priori, de candidata a presidente da República, não vou ficar na cadeira cativa de candidata. "Se tiver alguém que possa protagonizar melhor que eu esse projeto, pode ter certeza que eu vou ser cabo eleitoral dessa pessoa", concluiu.

Fonte: Agencia Estado.

Enriquecimento de áreas florestais acelera recuperação



Rodovias, anéis viários, aeroportos, praças esportivas e uma série de intervenções urbanísticas representam obras de infra-estrutura promovidas a partir de desmatamentos legalizados. No entanto, o aproveitamento dessas áreas a partir do resgate de mudas destinadas à restauração de mata ciliar (APP) e Reservas Legais previstas no Código Florestal hoje em vigor ainda é algo recente.
– Esse tipo de ação barateia custos e aumenta as possibilidades de restauração em todo o Brasil –, comenta Sergius Gandolfi, professor do Departamento de Ciências Florestais (LCB), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.
Em um dos trabalhos orientados por Gandolfi, a bióloga Milene Bianchi dos Santos avaliou a eficiência de diferentes métodos de enriquecimento, como a transferência de plântulas da regeneração natural para produção e introdução de mudas de espécies de sub-bosque em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual em processo de restauração no Estado de São Paulo.
A pesquisadora atuou em uma área no município de Santa Bárbara d’Oeste (interior de São Paulo).
– O enriquecimento dessas áreas por meio da introdução de diferentes espécies, formas de vida e grupos funcionais busca acelerar o restabelecimento da complexidade estrutural e funcional a fim de perpetuar o fragmento –, explica a bióloga.
Na prática é feita uma coleta de material antes do desmatamento, as plântulas são levadas para o viveiro para a formação de mudas e plantadas em campo para o enriquecimento de uma área.
– Este trabalho pode gerar subsídios para elaboração de políticas públicas visando a coleta deste material como medidas compensatórias e mitigadoras para o licenciamento ambiental de grandes empreendimentos –, comenta a pesquisadora.
O trabalho observou que a comunidade de plântulas encontrada na área que seria desmatada representou uma fonte importante de plântulas para a produção de mudas com elevada diversidade regional e diferentes formas de vida. Foram coletadas plântulas de uma floresta nativa no município de Guará (próximo à Franca, no interior de São Paulo) que seria legalmente suprimida e, em seguida, transferidas para o viveiro para a produção de mudas.
Posteriormente, mudas de vinte espécies foram plantadas no fragmento de floresta em Santa Bárbara d’Oeste e apresentaram elevadas taxas de sobrevivência. Nesta mesma área foi realizado o plantio de plântulas e mudas de espécies de sub-bosque produzidas em viveiro. Foram plantadas sete espécies de plântulas e dez espécies de mudas na entrelinha do plantio original, que durante o período de avaliação apresentaram elevadas taxas de sobrevivência.
– A produção de mudas a partir das plântulas coletadas possui a fase inicial de viveiro como a fase mais crítica em relação à sobrevivência (60%), mas está dentro da faixa de resultados já observados e ainda possui a vantagem de suprimir fases desconhecidas para a maioria das espécies, como a fase de germinação e estabelecimento inicial. O plantio de plântulas e mudas de espécies de sub-bosque para o enriquecimento de áreas em processo de restauração demonstrou ser viável pela elevada sobrevivência em campo, acima de 90% –, conclui.

Fonte: Correio do Brasil